Salão de Carros

#2 Fórmula 1

Postado em 18 de junho de 2021 por Julia Ricotta

#2_Fórmula_1

Na última semana, iniciamos a série de curiosidades e informações sobre a Fórmula 1 com o post #1 Fórmula 1. Hoje, daremos continuidade ao assunto, abordando um pouco mais sobre os principais e mais interessantes componentes presentes nos carros e quais suas importâncias durante os GPs.

Já é de conhecimento geral que os carros de Fórmula 1 tem uma série de componentes que automóveis utilitários usualmente não tem. Dentre eles, destacam-se os elementos aerodinâmicos, capazes, principalmente, de garantir a realização de curvas em altas velocidades, de maneira segura. Para isso, é necessário empregar tecnologias de ponta e investir muito dinheiro para alcançar bons resultados.

A parte aerodinâmica é uma das grandes preocupações durante o desenvolvimento dos carros e, por isso, estão sempre em desenvolvimento ao longo dos anos, visto que as corridas exigem alta performance dos veículos monopostos. Tal área é responsável por garantir que a interação do ar com a estrutura do carro seja a de maior desempenho, garantindo velocidade e estabilidade em qualquer situação.

Para compreender um pouco mais do assunto apresentaremos três conceitos importantes. São eles: downforce, upforce e arrasto. O downforce é o efeito responsável por garantir maior aderência do veículo na pista, enquanto o upforce é o efeito responsável por realizar o contrário do downforce, causando menor aderência das rodas na pista e, por fim, o arrasto, que é a força que surge pelo atrito do corpo e do fluido (neste caso, o ar), gerando resistência ao movimento do objeto.

Asas do carro de Fórmula 1

A asa traseira é um antigo componente na Fórmula 1, responsável por garantir que o carro tenha maior aderência e, portanto, maior estabilidade nas pistas. Essa “asa invertida”, confeccionada sempre com materiais leves, gera uma força de sustentação, empurrando as rodas para o chão. O formato invertido da asa traseira (também conhecida como aerofólio) é proposital. Tal configuração permite que o ar que passa pelo componente seja direcionado para cima, o que gera uma força de ação e reação entre o ar e o carro, pois a asa do carro empurrará o ar para cima, então o ar empurrará o carro para baixo, gerando o downforce. Quanto mais angulada for a asa, maior o downforce gerado pela mesma, lembrando que os ângulos não são tão grandes assim, pois se fossem, a asa seria uma verdadeira barreira para o fluxo de ar, e não é isso que o projetista quer.

Tal elemento mostra-se muito importante em corridas que existem muitas curvas de altas e médias velocidades, isso porquê quanto mais downforce no carro, melhores desempenhos ele atinge em curvas.

A asa móvel, também conhecida como DRS (Drag Reduction System, ou em português Sistema de Redução de Arrasto), criada em 2011, é um elemento amplamente utilizado durante as corridas, principalmente para realizar ultrapassagens (contudo, com algumas restrições). Esse componente é responsável por diminuir o downforce e é utilizado em retas, em especial em tentativas de ultrapassagem, como mencionado anteriormente. Ela é um sistema de abertura e fechamento da asa traseira, fazendo com que, quando aberta, o ar não mais percorra o perfil da asa, mas sim passe por entre a mesma, reduzindo o arrasto do carro e, consequentemente, aumentado a velocidade.

Mercedes_W10_asa_aberta

Figura 1 – Asa móvel aberta.

A asa dianteira, é outro componente de suma importância para o controle do carro nas pistas, isso devido ao fato de ela ser a primeira parte do carro que entra em contato com o ar. Portanto, ela deve ser projetada de maneira a distribuir adequadamente tal fluido para que o carro atinja um ótimo desempenho, distribuindo o ar de maneira correta para o carro, garantindo que o mesmo não tenha problemas de performance ou perda de controle. O endplate (elemento da asa dianteira), é responsável por retirar o ar dos pneus do carro, evitando que o fluido, ao entrar em contato com o pneu (quente), gere uma turbulência e prejudique o desempenho do automóvel. A Upper Flap impede, como o endplate, que o ar chegue aos pneus.

 Asa frontal F1

Figura 2 – Esquema de asa frontal dos carros de Fórmula 1.

Média de Preço dos Componentes:

Ok, agora você já conhece a asa, mas sabe qual o real preço de uma, ou o de um carro de Fórmula 1? Para o ano de 2021, o valor de fabricação e montagem de uma asa traseira, sem contar os custos de desenvolvimento, é de 85 mil a 105 mil dólares (425 mil a 525 mil reais, aproximadamente), enquanto uma asa dianteira custa em torno de 150 mil a 200 mil dólares (aproximadamente 750 mil a 1 milhão de reais).

Outros componentes, como o chassi e o motor do carro, tem seus preços listados a seguir:

- Jogo de pneus: 3 mil dólares (15 mil reais);

- Halo: 17 mil dólares (aproximadamente 85 mil reais);

- Tanque de Combustível: 31 mil dólares (aproximadamente 155 mil reais);

- Volante: 50 mil dólares (por volta de 250 mil reais);

- Rolamentos de roda, fiação de chassis, eixos de transmissão: 50 mil dólares (aproximadamente 250 mil reais);

- Discos e pastilhas de freios: 78 mil dólares (390 mil reais);

- Assoalho: 141 mil dólares (em torno de 700 mil reais);

- Conjunto hidráulico (caixa de direção, embreagem, diferencial, DRS, brake by wire): 170 mil dólares (850 mil reais);

- Caixa de câmbio: 350 mil dólares (1,75 milhão de reais);

- Chassi: 710 mil dólares (aproximadamente 3,5 milhões de reais);

- Unidades de potência: 15 milhões a 18 milhões de dólares (75 milhões a 90 milhões de reais);

Vemos, então, que um carro de Fórmula 1 pode custar, aproximadamente, 100 milhões de reais, sem contar todos os custos de pesquisa e desenvolvimento.

Curiosidade:
Variações das asas na Fórmula 1

Você sabia que as asas mudam na Fórmula 1, não utilizando as mesmas durante o ano todo? Se sim, sabe o motivo do porquê isso ocorre? Venha conosco para entender a razão da mudança!

As asas, tanto dianteiras, quanto traseiras, têm diferentes perfis devido ao fato de que cada pista apresenta uma exigência aerodinâmica diferente, ou seja, os perfis das asas adequam-se àquilo que é necessário para aquela pista. Um exemplo são as asas de Mônaco, circuito o qual apresenta grande dependência aerodinâmica, o que faz com que as asas tenham perfis mais agressivos, enquanto que no GP de Monza são utilizadas asas uito menos agressivas, ou seja, menos inclinadas e anguladas, devido ao fato de que deseja-se diminuir o arrasto para atingir altas velocidades nas longas retas do circuito. Veja e compare as duas asas apresentadas a seguir:

 Asa_traseira_Ferrari_SF90

Figura 3 – Asa traseira para Mônaco do SF90, carro de 2019 da Ferrari.

Asa_traseira_RBR_RB15

Figura 4 – Asa traseira para Monza do RB15, carro de 2019 da Red Bull.

Posts Fórmula 1:

Texto produzido por: Júlia Leite de Faria Ricotta e Fábio Sandrini Costa.

 

Leia também:

Deixe um comentário

Clique aqui para cancelar a resposta.

© 2021 SalaoDeCarros.com.br - Todos os direitos reservados. Politica de Privacidade