Salão de Carros

#3 Fórmula 1

Postado em 25 de junho de 2021 por Julia Ricotta

halo-ferrari

Você sabia que muitos dos atuais componentes dos carros de Fórmula 1 são frutos da implementação de medidas de segurança mais eficazes? Dando sequência a série de posts sobre a Fórmula 1, hoje falaremos sobre os mais famosos e importantes acidentes que ocorreram ao longo do esporte e que contribuíram para a construção de carros mais seguros.

Você já ouviu a frase “Não há evolução sem mudança”? Ela descreve bem a evolução dos componentes de segurança dos pilotos ao longo da história da Fórmula 1.

Em 1° de maio de 1994, um acidente fatal na Fórmula 1 entrou para a história com a morte do piloto brasileiro Ayrton Senna. Por um lado, o falecimento do piloto trouxe muita tristeza, principalmente, para os brasileiros amantes da Fórmula 1, enquanto que por outro, sua morte proporcionou o aprimoramento da segurança no ramo automobilístico.

São inúmeros os acidentes que ocorrem durante os GPs ao redor do mundo mas, atualmente, são pouco frequentes aqueles em que os pilotos sofrem graves ferimentos ou falecem. Isso ocorre pois, a partir dos acidentes passados, é investigado e analisadas possíveis mudanças capazes de trazer mais segurança aos pilotos.

A categoria automobilística é por si só perigosa, o que é necessário implementar são medidas de segurança que reduzam a probabilidade de graves acidentes. Dentre as medidas seguras implementadas, falaremos sobre as principais no post.

Halo

O Halo é um sistema de proteção, implementado obrigatoriamente em 2018 em todos os carros de Fórmula 1. Esse dispositivo é confeccionado com um material de alta resistência mas de baixo peso, o titânio, projetado para proteger a cabeça do piloto contra possíveis choques de grandes objetos.

 visao-halo

Visão do piloto com o Halo no carro.

halo-carro-ferrari

Halo da Ferrari, em preto.

Embora odiado pela maioria dos pilotos, uma vez que aumenta o peso do carro e atrapalha a visibilidade, o Halo é capaz de salvar vidas. Um exemplo recente foi o acidente com o piloto Romain Grosjean, em que tal dispositivo de segurança permitiu que saísse do carro com vida. Durante o GP do Bahrein, no ano passado, o carro do piloto da Haas colidiu com outro e saiu da pista, a 222km/h, em direção a Guard Rail, onde o carro explodiu e partiu-se ao meio.

A imagem a seguir apresenta como o Halo foi capaz de salvar a vida do piloto.halo-importancia

Representação do acidente do piloto Grosjean com e sem o Halo.

Hans

O Hans (Head And Neck Support, em português “protetor de cabeça e pescoço”), criado em 1980 e utilizado, obrigatoriamente desde 2003 na Fórmula 1, é um dispositivo de segurança utilizado pelos pilotos. Ele é responsável por dar o suporte a região cervical em momentos de desaceleração muito rápida (como por exemplo colisões), evitando possíveis fraturas basais cranianas.

Tal dispositivo, encontrado ao redor do pescoço, é confeccionado de fibra de carbono, componente leve, mas resistente, em formato da letra U e preso ao capacete do piloto, evita movimentos bruscos do pescoço.

 hans

Comparação entre piloto sem o dispositivo de segurança e com, e as forças geradas por desacelerações repentinas.

Mudanças no Cockpit

No início da Fórmula 1, os carros eram feitos apenas com o intuito de atingir altas velocidades, sendo que a segurança do piloto era deixada totalmente de lado, tanto que não havia sequer atendimento médico, no caso de acidentes

 ferrari-156

Ferrari 125, carro da equipe Ferrari que correu em 1950.

No ano de 1961, a Fórmula 1 implementa o famoso Santo Antônio, que fornece proteção ao piloto no momento de capotagens, evitando o esmagamento do mesmo, mas tal componente não possuía padronização alguma até o ano de 1968.

 carro-preto-e-branco

Ferrari 156, carro da equipe Ferrari que correu em 1961.

Pulando para 1985, com o passar dos anos foram adotadas medidas para a maior segurança do piloto em relação ao chassi com os testes de impacto tornando-se obrigatórios, além da expansão das células de segurança, para proteger os pés do piloto e a mudança da posição dos tanques de combustível.

Em 1996, após a morte de Senna e Ratzenberger, a altura do cockpit passou por alterações, expondo o piloto muito menos, o que trás mais segurança para quem está atrás do volante. 

 ferrari

Ferrari 412T1, carro da equipe Ferrari que correu em 1994.

Evolução dos Capacetes

Os capacetes são itens indispensáveis na Fórmula 1, essencialmente para os pilotos. Ao passo que devem ser resistentes a colisões contra objetos, precisam ser também leves para garantir um conforto durante as corridas.

É possível visualizar a importância do uso de capacetes resistentes a partir do acidente do ex-piloto de Fórmula 1, Felipe Massa, no GP da Hungria. Nele, Massa foi atingido por uma mola de 800g que se soltou do carro de Rubens Barrichello, a uma velocidade de 256 km/h. Tal acidente, que ocorreu dias após a morte de um piloto de Fórmula 2, após ser atingido por uma roda, fez com que a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) desse maior atenção às tecnologias utilizadas para a confecção de capacetes mais resistentes.

 mola-felipemassa

Mola que atingiu o capacete de Felipe Massa em 2009.

Outro exemplo relevante sobre a necessidade de capacetes resistentes a impactos foi o acidente de Ayrton Senna, em 1° de maio de 1994, em que um componente de suspensão perfurou o capacete e atingiu o crânio do piloto.

 capacete-senna

Perfuração no capacete de Ayrton Senna.

Os atuais capacetes atingem maiores níveis de segurança, quando comparados com os iniciais: são mais resistentes a colisões e aguentam altas temperaturas em casos de incêndios. A viseira dos capacetes se tornaram menores, a fim de evitar a ocorrência de acidentes como o de Felipe Massa, em 2009. Os capacetes são confeccionados, em geral, por fibra de carbono e kevlar, materiais de alta resistência e com baixo peso, além de ser revestido por um tecido à prova de fogo. As viseiras são constituídas por materiais resistentes a projéteis e de espessura considerável, a fim de oferecer maior segurança. Vale lembrar também que, os capacetes são sempre submetidos a testes de impacto e incêndio antes de serem utilizados.

Macacão dos Pilotos

Atualmente, todos os componentes dos carros são projetados a fim de evitar graves ferimentos durante os acidentes, o mesmo serve para as vestimentas dos pilotos. Mais uma vez o acidente do ex-piloto Romain Grosjean serve de exemplo para apontar a importância dos macacões como medidas de segurança em caso de acidentes.

Colisões fortes que ocorrem no início da corrida, geralmente resultam em graves acidentes, isso porque o tanque de combustível ainda está cheio. Dessa maneira, a possibilidade de explosões e incêndios que envolva o piloto é maior. Nesses casos, é importantíssima a utilização de macacões, luvas e calçados que sejam capazes de gerar uma barreira de proteção para o piloto.

Utilizado obrigatoriamente pelos pilotos de Fórmula 1, desde 1975, os macacões são resistentes a chamas. É confeccionado por tecidos resistentes ao fogo, aguentando altas temperaturas.

grosjean-incendio

Grosjean sendo retirado do incêndio no GP do Bahrein em 2020.

 grosjean-hospital

Imagem do Grosjean no hospital após o acidente.

Curiosidade:

O Grande Prêmio da temporada de 1996 realizado em Mônaco foi um GP um tanto quanto diferente, ainda mais para os dias de hoje. Nele, apenas 4 dos 22 pilotos terminaram a corrida, o que fica ainda mais assustador quando expresso em porcentagem: apenas 18,2%. Os motivos para tal desastre? Além de ser Mônaco, que já é uma pista estreita, sem áreas de escape e pontos de traçado complicados, no dia da corrida a pista estava molhada e, durante a corrida, ocorreram várias colisões, como a de Heinz-Harald Frentz, que chocou-se com a Ferrari de Eddie Irvine e perdeu o bico do carro. Ao todo, foram 7 abandonos causados por colisões, 4 por rodar na pista, 2 por acidentes, 1 devido à suspensão, 1 ao motor, 1 por causa de falhas do câmbio, 1 devido à transmissão e 1 por causa de uma batida no aquecimento.

Este GP também era o último GP em que um piloto francês havia vencido alguma corrida, até que, em 2020, Pierre Gasly conquistou sua vitória no GP da Itália.

gp-monaco

Largada do GP de Mônaco de 1996.

 Texto produzido por: Júlia Leite de Faria Ricotta e Fábio Sandrini Costa.

Série de Post sobre a Fórmula 1:
#1 Fórmula 1

#2 Fórmula 1

Evolução dos Carros de Fórmula 1

Leia também:

Deixe um comentário

Clique aqui para cancelar a resposta.

© 2021 SalaoDeCarros.com.br - Todos os direitos reservados. Politica de Privacidade